Baleiro

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Fortaleza, Ceará, Brazil
entre as inúmeras coisas identificáveis que já ouvi, uma delas é que tenho uma multidão dentro de mim.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Água Doce


Incide em mim pensamentos que me embalam a mente. Sensações que me embebedam a alma. Idéias e partículas expostas como uma ferida aberta, um corte sangrando. Tudo isso existe de fora pra dentro. Trouxe outros mundos para dentro de mim, assim, como talvez deva ser. Não por cristianismo, mas por humanismo. Sim, por ser gente e estar vivo, pulsando. Por ser mutante, sempre estreante e por não ter medo de chuva. Ela molha e pode nos lavar a alma num dia cansado.

Queria um desaguar em mim. Queria que palavras involuntárias me invadisse, que a voz de quem bem disse, me trouxesse uma clareza para amenizar uma pequena dor que está. Queria além do café amargo, saborear o aroma que as composições fortes têm. Queria ter por ventura, outras vidas. Por isso, recorro a escrita. Aqui, onde só serei interrompido pela ausência de inspiração. Um ensaísta que às vezes recorre a textos pensados ou vindos do desejo infinito dos que vivem.

Neste momento chove por dentro. Existe um desaguar dentro de mim. Pensamentos se misturam e pessoas também. Todas que cabem dentro do meu universo de limitações. Todas que por essência estão. Algumas absorvidas e outras aspiradas pelos poros desatentos. Nem tudo deveria caber, nem tudo poderia ser. Mas os lamentos são em vão e requer tempo e o tempo que é fugaz pode ser outro.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

"Infinito Particular"


Nestes últimos dias tenho pensando muito sobre sonhos. Aliás, tenho me deparado com questões que os envolvem diretamente. Entre os sonhos quando dormimos e aqueles que são acordados existe um fio que os conduz: pessoas.

Sim, somos nós os detentores diretos e indiretos dos nossos sonhos. Sejam eles conscientes ou subconscientes, conseqüentes ou inconseqüentes, eles existem como parte de nós. Certa vez, uma amiga disse que o maior desejo da sua vida era dançar um tango em Buenos Aires. Fiquei pensando nisso e imaginei quantas pessoas já foram lá e não dançaram um tango (não desejavam). Mas ela, me transmitia uma paixão que refletia no brilho dos seus olhos. Neste dia, havia recebido dois cartões-postais de lá.

Outros tantos desejos realizáveis que já me relataram se aproxima do surreal. Outros de tão próximo nem me parecem “sonhos”. Mas são. Todos são.Independe do grau de dificuldade que encontram.

Hoje, mais um amigo falava de escolhas. De vida e tudo em sua volta que um dia foi um sonho, depois um plano, e hoje,a dificuldade de executá-lo. Sim, porque existem alguns que são cíclicos. O dele é. Fiquei atento e lembrei de que há dias o fio condutor dos meus desejos me rege. Aliás, há anos. Falo pouco sobre eles, mas penso muito. Busco realizá-los, sem agressividade que talvez devesse ter,mas com um empenho de quem aprende. Com a calma de quem tenta tirar do silêncio a essência das coisas. Com a paciência, às vezes,inquietante de quem espera.

De toda essa reflexão fica uma certeza: respeito aos sonhos alheios. Eles são imensuráveis por conter histórias de vida. Depositamos muitas coisas neles, às vezes, nos serve como norte, como meta, como fuga. Seja como for e para que for, é algo intrínseco a nós. Desde que nos entendemos por gente,eles existem. Podem até ser mutáveis, mas nos acompanham vida a fora.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A Nostalgia do Amanhã




Recorro as futuras lembranças que terei num amanhã próximo. Elas existirão em formato digital, PDF, numa caixa de email, e talvez, em lixo eletrônico. Não existirão cartas escritas a punho, cartão postal e nem fotos reveladas. Minhas lembranças estarão ao alcance de um click e tudo em alta definição.

Em um único pen drive( com uma mega capacidade de armazenamento )terei uma vida: meus discos (em MP3), meus livros (em e-book),meus vídeos (em MP4), minhas fotos (em álbum digital) e meus escritos (em blogs como esse) ou mesmo “o que estou fazendo agora” em um twitter qualquer.

Vivemos a era dos “Jetsons” (o desenho animado futurista). As invenções tecnológicas são rapidamente substituídas, algo mais moderno, potente e que requer cada vez menos trabalho para o homem. Tenho medo que em meio a tanta parafernália eletrônica , nos tornemos ilhados em meios aos clicks possíveis. Claro que tais inventos nos dão uma dimensão de velocidade e praticidade inacreditável. Compramos pela internet, viajamos, conhecemos culturas, pessoas e até amamos (!). Tenho receio que a “criatura” vença o “criador”.

Em meio a tudo isso, pouco tempo nos sobra para lembrarmos de alguns itens recentes que mais parecem peças de museu: disco, máquina de escrever, carta e etc. Em se tratando de eletrônicos, sempre que começo descobrir algum item interessante de uma máquina, logo surge outra mais potente, veloz e inteligente.

Não troco o livro de papel pelo eletrônico, preciso ter o contato intimo do toque nas suas páginas. Leio jornais diários eletrônicos, mas prefiro sujar as pontas dos dedos com a tinta que eles soltam. O mesmo falo para as revistas e também para as cartas. Mas ninguém mais tem tempo para elas, o email, pela velocidade e praticidade, tornou as cartas um símbolo de poesia.

Por isso, vou eu aos poucos, intercalando entre a nostalgia recente de um ontem á modernidade que nos invade em todo e qualquer lugar. Ainda terei uma máquina de escrever e uma radiola também. Continuarei comprando livros. Mas paralelo a isso, enviarei vários emails diariamente, continuarei a ler jornais e revistas virtuais. Procurarei discos raros em brechós e uma agulha nova para o meu nada potente som (que também não será estéreo).

Às vezes, fico a pensar que preciso de mais “memória” (upgrade) para assimilar todas as inovações desse futuro que é agora e que daqui a pouco, já envelheceu.