
Soube que caminhavas por aí e me perguntei se havia pétalas pelo teu caminho. Deveras, devia existir e mentalmente eu te vi caminhar sobre elas. Todas multicoloridas e em tons vibrantes. Já faz mais de um ano que você renasceu. Fico me perguntando, como é renascer depois de mais de sete décadas?
Depois de ter assistido as mudanças de todos os seis filhos.Em seguida vieram os netos, que já somam nove. A vida é numérica, mas é mais do que uma soma. Mas do que o envelhecer. Olhar-se no espelho e contar números é trivial, mas a vida que se tem e o somar dos dias e das vidas vão além das equações de somas, subtrações e divisões.
Engraçado, só reparei nas semelhanças que temos no seu renascimento. Quando somos muito jovens, fazemos questão de ser o oposto, de ir contra e buscar “originalidade”. E ela está na essência, a originalidade mora na nossa essência. E vi pelas tuas mãos enrugadas algumas das minhas manias. Percebi também que a impaciência, a maneira de se posicionar muitas vezes silenciosamente são traços seus que eu carrego e claro, os momentos de explosão daqueles que aparentemente mantém a serenidade sempre.
Quando penso em você me vejo. Aliás, me vejo fragmentado. Pois sou parte seu e outras partículas tantas. Parte da mulher que a ti se entregou. Parte dos filhos que ela pariu. E desses filhos, sou também parte dos netos.
O texto é uma homenagem ao meu pai, presente mesmo quando ausente, por eu ser parte dele. O seu renascimento se deu depois de um grave acidente em agosto/09.Hoje ele está bem, continua morando em Iguatu e somando números.No próximo 06/11 fará 80 anos.
Imaginei as pétalas pisadas e o cheiro da flor, como que em renascimento também, voltando a ser inteira, a ser parte indissociável do todo.
ResponderExcluirParabéns pelo texto, pelo reconhecimento, pelas lições aprendidas, pela visível disponibilidade de aprender mais... Parabéns ao pai!
Um viva à vida!
Beijo grande, querido!
Amei amigo! Muito lindo!
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