Baleiro

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Fortaleza, Ceará, Brazil
entre as inúmeras coisas identificáveis que já ouvi, uma delas é que tenho uma multidão dentro de mim.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

É tudo real!




A instrutora do curso pediu para que os alunos se apresentassem falando o nome, contando duas verdades e uma mentira, para que rolasse uma interação entre os alunos tentando descobrir qual seria a mentira.

E assim foi, pouco a pouco cada um ia falando nome, verdades e mentira. Em tom bem humorado, com pequenas inverdades os participantes iam falando. Quase no final do círculo, estava um casal. Aparentavam ter seus trinta e poucos anos.

Ele relatou assim: sou fulano, aposentado, pai de três filhos e casado com beltrana que está aqui ao meu lado. A sala começou a dizer que a mentira estava no fato dele ser aposentado, por ser tão novo. Não, a mentira era que ele não era pai de três filhos.

Ela começou o relato assim: sou beltrana, casada com fulano, decoradora e estou aqui para acompanhar o meu marido. Ele tem uma doença incurável, não pode ser pai e fizemos um pacto de aprender tudo que podemos juntos, por isso estamos no curso de inglês. Ela mentiu o nome, o resto da história é verdade.

Olhei para os dois atentamente e com admiração. Parecia cena de filme, aqueles momentos em que são escritos ou pensados para causar impacto nos espectadores. Porém, tudo aquilo era vida real, nada mais que isso. E fiquei pensando na vida: na deles e de várias pessoas que estão próximas a mim. Pensei também na minha própria.

Pensei na poesia que existe nessa história. Na entrega de ambos, na absoluta certeza de não saberem mesmo sobre o amanhã. A gente, de maneira geral, sabe que não sabe, mas acredita saber e mais, tem a crença de poder controlar tudo. Cada vez, me convenço mais de que a vida é uma estrada sinuosa e que nos conduz por caminhos que as vezes não imaginamos.

Entre verdades e mentiras, o que fica é tudo o que é real e nos parece possível. Depois, da declaração dela, eles ficaram um tempo de mãos dadas. Sem ensaios, o que ficou evidente foi a certeza de que um tinha ao outro. Certamente, esse é o maior aprendizado que eles podem ter.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Eu no mundo.com


Conforme texto abaixo "Eu e o mundo.com", segue o meu endereço no twitter:


https://twitter.com/baleirocesar


lá, lanço pequenas efemeridades virtuais. Acessem!

Eu e o mundo.com


Vejo uma geração cada vez mais ansiosa. Esses novos meios e mídias são em parte, os grandes responsáveis por isso. Eu vivi meios que hoje em dia, podemos considerar peças de Museu ou coisas ultrapassadas. Exagero? Vamos lá...
Fiz curso de datilografia, esperava o carteiro ansiosamente, esperava o domingo para fazer ligações interurbanas e tentava não ficar muito tempo pendurado no fone por causa dos pulsos que eram cobrados nas ligações locais, tudo isso originado de um telefone fixo.

Computador era coisa de filme futurista. Não tínhamos mensagens instantâneas, nem por Messenger, nem celular. Com tudo isso, acredito que a minha geração era mais saudável mentalmente. Naquela época, ainda existiam os encontros despretensiosos, ainda mais no céu de uma cidade de interior.

As coisas sempre chegavam com um atraso considerável. Tinha os dias certos das revistas chegarem às bancas de jornal. Diferente de hoje, que simultaneamente o mundo divide todas as informações, compartilha imagens e pode-se ler uma revista/jornal de qualquer parte do mundo (desde que se compreenda a língua).

Nos dias de hoje, vivemos atrasados ou apressados. O celular não pode parar de tocar nem ser desligado em locais que sequer deviam entrar (cinemas, teatros). Somos monitorados de alguma forma o tempo inteiro. As câmeras estão por toda parte. Um big brother a céu aberto, um mundo de informações dentro do nosso mundo e do mundo alheio. Tudo acontecendo agora e ao mesmo tempo. Nos tornamos a cada segundo mais imediatistas.

A quantidade devastadora de novidades e informações nos vêem das mais diversas partes. Somo tomados virtualmente, invadidos pelos celulares, pelos nossos perfis espalhados numa grande rede mundial. Claro, que não sou jurássico e tenho perfis no Orkut, Face book, abri uma conta no Twitter, tenho MSN, e claro, celular (es). Tenho aos poucos, conseguido me inserir nesse mundo cheio de maravilhas e de urgências fabricadas.

Confesso que, por ter vivido a calmaria da rede na varanda e a velocidade virtual esmagadora dos dias atuais, existem dias que tudo que desejo é deitar numa rede, pegar um bom livro impresso, desligar celulares e derivados e pensar menos sobre tudo isso.