Baleiro

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Fortaleza, Ceará, Brazil
entre as inúmeras coisas identificáveis que já ouvi, uma delas é que tenho uma multidão dentro de mim.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Uma salva de palmas...


Certa vez ouvi uma frase que ficou gravada na minha memória. A frase dizia mais ou menos o seguinte: que o aplauso só deve ser usado para chamar atenção dos deuses para algo extraordinário que esteja acontecendo na terra. Fiquei pensando a respeito e achei muito interessante essa perspectiva.

De uns tempos pra cá, sempre que utilizo as palmas, uso-a como um termômetro para me certificar o quanto gostei de uma apresentação/discurso. Economizo a salva de palmas porque acho que vulgarizamos o aplauso, assim, como tantas outras coisas.

Aplaudimos em excesso políticos, pseudo celebridades sem nada a nos dizer, discursos montados e forjados...Pede-se uma salva de palma para tudo, sendo que nem tudo vale essa salva. Às vezes, o público só corresponde, sem nada sentir, inertes.

Esse texto defende o fim das palmas gratuitas.Só “acordaremos” ou “chamaremos” a atenção dos deuses quando necessário for. Vai que numa dessas, merecidamente chamamos vossa atenção e eles nem olhem mais por terem se cansado da mediocridade.

"Bota o Melão pra quicar"


O entretenimento burro está ficando cada vez mais perigoso. Ontem, estava vendo o jornal e entre um canal e outro parei no TV Fama (sim, aquele programa trash do Nelson Rubens). Entre uma matéria e outra, eis que vai ao ar uma “entrevista” com a Mulher Melão (?!). Fruta agora esboça algumas palavras, não que sejam releváveis, mas...

Eis que ela anunciou algo preocupante: será candidata a deputada. Sim, as mulheres frutas chegarão ao Congresso!!! Ela disse que vai defender a os interesses dos taxistas. A identificação deve ter vindo quanto a quilômetros rodados.
É um momento único na História da política brasileira. Já temos vários exemplares curiosos no Congresso e Senado, agora teremos uma fruta:uma mulher fruta! Indagada sobre se está preparada, ela respondeu “ainda não estou 100% segura...”, perguntaram também como ela vai se vestir nessas ocasiões e outras coisas mais. Uma
bate bola imperdível de uma futura e promissora candidata.
O Brasil é o país do futuro...”

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Exército de Um Homem Só


Em meio a falta de tempo dos últimos dias, parei para pensar um pouco sobre os mitos. Os que criamos e principalmente os que criam para nós. Penso enquanto escrevo .
E lembro que desde sempre, somos condicionados aos estereótipos de uma sociedade redonda e cheia de pré-conceitos e tantos outros conceitos formados. Cresci ouvindo que fulana é boa atriz. Que emissora X é a melhor. Que a profissão Y é a mais segura e por aí vai.

Apesar dos excessos de possibilidades, somos condicionados a pensar segmentado. A seguir regras pré-estabelecidas, seguir a multidão. E facilmente nos adaptamos a isso, é cômodo e não requer grandes esforços. Basta seguir quem já caminha na frente.

Acho louváveis os ideais que beiram a margem dos costumes. Mesmo que sirvam apenas para abrilhantar os dias embrutecidos por tudo aquilo que é real demais. O comércio é real e a violência também.

Louvo a tudo que nos tira da realidade: a música, o cinema, a literatura, a arte em suas várias maneiras de expressão. E só faz arte quem consegue se despir de alguns estereótipos, quem consegue fugir da rotina, do habitual, da conexão que ligam ideais, idéias e interesses comuns.

O homem, aqui está, para experimentar,inventar, criar, recriar. Apenas ser. A nós, foi dado um cérebro dotado de infinitas possibilidades.Mas nos deram também amarras, regras conceituais e uma infinita gama de mitos que devem ser louvados. Louvores aos que merecem, claro. Porém, lembrar que existe o novo tentando despontar. Existe o que já está criado e quer ser descoberto. Existe o que ainda não estar.
E nós não precisamos formar um batalhão de indivíduos que apenas compõe a “massa”. As vezes, é fundamental olhar a mesma figura por outros ângulos. Certamente seremos surpreendidos.

domingo, 19 de julho de 2009

"Eu vi um menino correndo/Eu vi o tempo"


Era o tempo, o tempo todo que batia á minha porta. Segundo a segundo e as suas manifestações de poderio. Durante tempos fingir não vê-lo, talvez tentasse desafiá-lo de alguma maneira. Acreditava tê-lo como aliado, ansiava pela fase adulta. Acreditava que a maioridade me traria tudo que se deve ter nas variantes fases do que chamamos de vida.


Vieram os primeiros pêlos na face. Algo estava mudando:voz, vontades, aparência. Sim, estava aos poucos me tornando um “homem já formado”. A fase adulta não tardou a chegar e outras tantas responsabilidades também. Como somos cobrados quanto mais o tempo passa! Como nos arrumam coisas que devemos ter e ser!Existem fórmulas e formas de felicidade, cartilhas de boas maneiras, e tantas outras coisas no “manual da felicidade moderna”.


E eu, certo que como num conto de Clarice, que as minhas felicidades sempre seriam clandestinas. Mas tento seguir alguns desses padrões impostos. Outros fujo como o diabo da cruz. Mas ainda em paralelo ao tempo, o eu de hoje, de ontem. Fico pensando em que momentos eles se encontram, se assemelham. Sim, não é só o relógio que em círculos incessantes giram. Cabeça, pulso, mente, corpo. A alma em compassos e descompassos rotineiros. A rotina acelera os dias ou os faz passar mais calmos?


Não sei se seria uma boa idéia voltar á infância, talvez a pureza perdida não possa ser recuperada. Por isso, é fundamental brincar de vez em quando de senhor do tempo como uma criança. Rir a toa do nada, se entreter com algo que “não temos mais idade”. Voltar apenas a sonhar, sem a certeza de algumas impossibilidades desse mundo adulto e real demais. E voltar um bocado no tempo e lembrar de quando tínhamos a certeza de que o amanhã será sempre um dia melhor. Para os dias menos gloriosos, esse é certamente um bom método para um reencontro com a nossa essência de menino.

* Alegria, Alegria




Depois de anos de ostracismo e quase uma década depois da sua morte, Wilson Simonal está de volta. O documentário SIMONAL- NINGUÉM SABE O DURO QUE DEI narra a vida, o sucesso e a decadência de um artista brasileiro.


Pouco se fala em Simonal quando se fala em música brasileira, dá pra entender os porquês vendo o documentário. O homem que nos anos 60 e inicio dos anos 70 lotou o Maracanazinho (um público estimado entre 30 e 50 mil pessoas) fazendo a platéia cantar em coro. Um artista que viajou quase o mundo inteiro. De tão popular tinha um programa na TV Record, no auge dos festivais de música. Vendeu muitos discos, tinha fama e fortuna.


De uma hora para outra perdeu tudo. Um boato pôs fim a sua carreira em ascensão. Das capas das revistas para as páginas policiais dos jornais ou sendo execrado pelo “O Pasquim”. Foi acusado de “dedo duro”, em plena ditadura, acusado de cacoete. Não teve direito de defesa, não teve quem intercedesse por ele. A mídia e o público tinham uma sentença cruel para Simonal: o esquecimento.


Simonal era filho de empregada doméstica, negro e pobre. Outro mundo se abriu diante dos seus olhos: dinheiro, luxo, mulheres, viagens... Pelos depoimentos, percebe-se que o sucesso lhe subiu á cabeça. Houve um deslumbre e uma dose exagerada de exibicionismo, de soberba.


O criador da “pilantragem” tinha suingue, conseguia prender a atenção do público e interagia com eles como ninguém. Deu ao país um ritmo novo, em meio aos problemas sociais da época foi um alento das grandes massas. Porém, foi condenado moralmente no auge da sua carreira. Depois disso veio o alcoolismo e a depressão. O artista entrava em declínio e a sua sentença era o esquecimento do público que um dia o amou.



O documentário SIMONAL – NINGUÉM SABE O DURO QUE DEI é antes de qualquer coisa uma justa e póstuma homenagem ao artista que vagou durante anos enxovalhado moralmente. É uma ótima oportunidade de conhecer uma lacuna da história da música popular brasileira que foi “apagada” ou esquecida durante anos. Brasileiro tem memória curta, mas existem alguns episódios que valem a pena lembrar, certamente esse é um deles.

*Alegria, Alegria era um bordão usado por Simonal.

terça-feira, 14 de julho de 2009

E ex BBB, pode ser Jornalista?! Pode.


A minha aposta para o próximo BBB, além das capas de nu, das falsas polêmicas e das intermináveis discussões populares acerca do nada, será os participantes que sairão de lá e virarão “jornalistas”.


Sim, aposto que muitos terão esse desejo. Poderão apresentar o “Fantástico” nas noites de domingo, fazer matérias para o “Jornal Nacional” e opinar acerca dos mais variados temas nos outros programas de comunicação da casa.


Depois de incontáveis edições, na próxima eles já sairão com o aval para serem algo. Porque quanto eles se lançavam nas novelas, eram duramente criticados e a classe artística exigia o mínimo de formação. Agora que para o Jornalismo não precisa, então mãos á obra! Qualquer ex-BBB é digno de uma profissão, inclusive a de jornalista. Parafraseando José Simão, esse é mesmo o país da piada pronta.

Interesses Privados


No último sábado assisti a um debate muito interessante sobre a não obrigatoriedade do diploma para a profissão de jornalista. O programa que estava discutindo esse assunto tão encoberto pela mídia, era o Ver TV da TV Brasil. Estavam lá o Presidente da FENAJ(Federação Nacional dos Jornalistas), um deputado , um advogado e o apresentador do programa, além de entradas de professores e pessoas relacionadas ao tema.


Um dos pontos que mais me chamou atenção foi uma pergunta que martelou a minha cabeça durante vários dias. Com essa não obrigatoriedade de diploma, quem é que vai definir quem é e quem não é jornalista?
Um deles, falou algo bem interessante:essa definição será dada pelos donos de emissoras, jornais, rádios etc. Segundo ele (e concordo plenamente) os meios de comunicação terão as suas “cartilhas” próprias.


Fiquei pensando no que ele disse e cheguei a uma conclusão mais do que obvia: os veículos de comunicação irão “formar” seu próprio exército de “jornalistas” e o embasamento de cada um serão as ordens e os interesses comerciais e ideológicos dos donos das mesmas.
Essa medida que propõe “liberdade de expressão” é um tiro no pé da responsabilidade dos profissionais que se empenham para melhorar a bagunça que é esse país.


Os ministros que votaram e aprovaram essa medida estão interessados somente em encobrir seus desfalques e preservar as suas próprias imagens e dos seus comparsas. A mídia e conseqüentemente os jornalistas, tornaram-se mais inimigos do que aliados, por isso, não é interessante vê-los desafiando o Poder Público.Aos desavisados, favor pensar a respeito.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

"Prenez soin de vous"


A Arte é uma apropriação de sentidos. Quem a faz inspira-se, quem a consome identifica-se (ou não). O meu conceito é de que arte nada mais é do que identificação.Um mesmo quadro, filme, livro etc., pode dizer muito a uma pessoa e a outra, absolutamente nada.
Uma artista plástica francesa resolveu usar sua dor para criar e compor a sua obra (os artistas sempre fizeram isso, não?!). A diferença nesse caso é que ela deu nome aos bois. Depois de levar um fora do namorado por email (um escritor francês), ela utilizou esse mesmo email para ser lido e interpretado por outras mulheres.

A exposição está em cartaz em São Paulo e faz sucesso por onde passa. As pessoas perguntam se ela não está se expondo muito ao fazer isso. Ela (e eu) acha que não. Os artistas sempre se expõem (não to falando dos que aparecem na Caras-Quem), falo dos artistas de verdade, que tem obras, que compõem, escrevem, musicam.

Cada coisa lançada (seja atuação, escritos, audiovisual, pintura etc.) é uma forma de se expor, de dá a cara a tapa. Os artistas fazem isso o tempo todo, sempre. E a matéria-prima deles, na maioria dos casos, é a vivência. Um poeta sempre escreve melhor sobre a dor quando a sente. Um cineasta sempre consegue estórias empolgantes quando acredita nelas. Um músico toca melhor quando toca o que gosta, compõe melhor quando vive. A arte nasce no íntimo.


P.S: A exposição da artista francesa(Sophie Calle) chama-se CUIDE DE VOCÊ e originalmente “prenez soin de vous”. O email rompendo o relacionamento termina com essa frase.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Festival de Cinema


O 19° Cine Ceará será realizado nos dia 28 de julho a 04 de agosto de 2009. E o festival está no Twitter.

Acesse:

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Toma lá da cá - Café pequeno



E aí, Sarney saí da presidência do Senado ou não?! Provavelmente não. Ele está no poder e o poder (PT) precisa desse aliado. Não importa as irregularidades, nem os absurdos cometidos por ele. Não importa que o ciclo de imoralidades continue a se repetir (tanto faz o partido ou a ideologia). As críticas sempre são fatores externos, se é sentida na pele, aí é outra estória.
Os discursos de acusação e apoio são apenas repetições de momento. Tudo vai depender de que lado você está(eles estão). Os que acusam hoje, defendem amanhã.E nós, brasileiros ficamos tentando entender essa política imoral.
A recorrente frase de brasileiro tem memória curta procede, aliás, memória nenhuma. Daqui a pouco essa grande crise vira café pequeno e seremos servidos de outro ainda mais amargo. Uma crise só é esquecida quando vem outra maior. E ela virá, ela sempre vem.