Baleiro

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Fortaleza, Ceará, Brazil
entre as inúmeras coisas identificáveis que já ouvi, uma delas é que tenho uma multidão dentro de mim.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Essências


Tento caber numa canção que me enche de melancolia. Ela parece maior do eu. Por segundos, acredito que ela me domina entre letra e melodia. E eu fico entre espasmos de lembranças, cheiros, momentos, passado.

Tento mergulhar num cheiro que me impregnou a alma. Ele parece mais intenso do que eu. Por instantes, acredito que ele me domina entre a pele e o exalar. E fico entre as glórias e os desafetos de alguns momentos.

Tento caber no mundo. Às vezes, no meu próprio. Mundos,verdades, teorias e tudo se multiplica. Quem somos depois de nós mesmos? A soma de tudo em volta, os outros, o tempo e nada mais é tão seguro. Nada é seguro quando se vive. Vivemos o perigo se conjugamos o verbo viver. Não sei se o conjugo bem, as vezes tropeço adjetivando outras coisas.

É que desde cedo nos explicam o que é bom e o que é mal. Conceitos, alguns reais,ideologias e meias verdades. Nenhuma é absoluta. Então, tudo se subtraí.

Nos perdemos e nos achamos inúmeras vezes. Canções se repetem e cheiros também.Lembra-nos quem fomos, como fomos e o que nos tornamos. Se for tudo cíclico,deve-se ousar. Sem ousadia, o terror da melancolia nos invade e somos somente tomados por episódios que não regressam. O que queremos algumas vezes, é somente não pertencer.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

"Eu não sou audiência para solidão"


A cópia da cópia da cópia...quem copia quem? Na TV, essa pergunta está cada vez mais difícil de ser respondida. São quadros, formatos, programas e idéias, tudo muito parecido, repetitivo, quase igual. É uma série de quadros semelhantes, muda o canal e está lá a mesmíssima coisa com um nome diferente. Quem começou primeiro? Não sabemos.

O que se sabe é que o povo está no “olho do furacão”. Misérias humanas exploradas ao extremo, quadros e programas de embelezamento pessoal, desafios de quem é o melhor, confinamento humano (como ratos de laboratório) , exposição de vida pessoal e por aí vai. Os quinze minutos de fama levados ao limite.

É absurda a idéia das pessoas em acreditarem que o povo faz a TV. Devia ser, mas não. Existe sim, uma usurpação de vidas e histórias. As pessoas gostam de se ver, buscam identificação e em troca, as emissoras tem retorno de audiência. A eterna briga pelos números, um ponto por uma vida!

O final de semana televisivo é um festival lamentável disso tudo, numa escala alta. O domingão é insuportavelmente chato, dando a impressão que a nossa TV é a mesma há pelo menos, vinte anos.
Disso tudo fica uma pergunta: a TV é isso por que queremos ou a queremos porque é assim?

Confesso que faço a minha parte. Aos domingos,vejo menos televisão que posso. Não suporto Faustão nem por trinta segundos. Gugu com aquele sensacionalismo barato é tão insuportável quanto. Silvio Santos tem cheiro de naftalina, os quadros são de pelo menos 1910.Nas emissoras locais, os quadros e apresentadores também não são diferentes. Basta sintonizar na TV Diário. É um mais do mesmo sem fim, eu particularmente, me recuso a aceitar.

Vou encabeçar uma campanha: desligue a TV nos finais de semana!E aí, alguém se habilita?

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Anoitecer


O Sol que se pôs ontem.
Em algum canto, encanto
Noutros cantos, nem tanto.
O transe, trânsito, trens.

O olhar, a leitura e o momento
Já é noite?!
A lua irradia, luz.
Escuros, contrapontos.

Passantes, falantes
Silêncios e pausas
O mar em algum lugar
A lágrima, a chuva, ruas

O riso, a madrugada e o gozo
O sono, a solidão, o medo
O amanhã, a dúvida, o outro
O ouro,os ciclos, lírios

Amanhece noutro ponto
Eu, insone.
Lembro e penso
Outras vidas:mundos.

Vale Quanto Pesa


Quanto você pagaria pela viagem dos seus sonhos? Pelo seu prato preferido? Pela sessão do filme que mais o emocionou ou divertiu? Quanto você estaria disposto a pagar por um momento que já passou? De algo que permanece imaculado na sua cabeça, nas suas lembranças?

Não se trata de saudosismo. Tenho olhado cada vez menos para trás e por razões obvias. Acredito mais no agora. Não que eu tenha esquecido as coisas e pessoas importantes que passaram pela minha vida. Elas coexistem em mim. São hoje, a soma do que sou. As coisas boas e más. As vitórias e derrotas. Os momentos que valeram a pena e os que na época, acreditei que não. Hoje sei, validos ou não, foram necessários, precisos, exatos.

E o ciclo vai aos poucos se completando. Você vai vendo que existe uma força maior percorrendo o nosso dia-a-dia, silenciosamente. Alguns chamam de Deus, outros de uma energia boa, ser superior etc. Não, também não estou falando de religião e sim de tudo aquilo que deságua em nós, humano.

Nesse momento, penso nos desejos que um dia tive e que não os tenho mais. Penso nos que tenho,mas que um dia deixarão de existir,seja por realização ou modificação. A realização é o final de um ciclo de um sonho? Eles envelhecem ou não (os sonhos)? Como é cruel questioná-los! Desejaria que eles fossem todos uma pedra bruta e que o lapidar se fizesse aos poucos. Mas os sonhos vêem prontos, idealizados. É um erro humano ou uma brincadeira divina?

Hoje tenho pensando no ontem como alicerce, base. Escreveria algumas cartas, diria para algumas pessoas o que aprendi depois de termos sido algo: amigos, amantes, cúmplices, apaixonados, irmãos, pais, mães e até alguns desafetos. Terminaria cada carta dizendo que fomos aquilo que podíamos na época. Que as ilusões foram perdidas, que a nossa bagagem nos limitava a ser apenas aquilo, com as maravilhas e os desalentos.

Respondendo as perguntas que começo o texto: a viagem dos meus sonhos ainda serão muitas, nos meus pratos preferidos estão aqueles que ainda não comi. Existem os filmes que quero rever inúmeras vezes, ver tantos outros novos. Os momentos que já passaram vivem dentro de mim em harmonia com o agora . O peso e o valor das coisas se dão pouco a pouco. As vezes,passam até meio desapercebidos, mas prometo ficar atento.Posso perder um detalhe ou outro, é que sou humano demais.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O mundo é uma gota de orvalho.


O minuto que não se espera. O imprevisível na tela, na voz, no som. O que virá para nos salvar de todas as idéias pré-fabricadas? Pensando rapidamente em inovações, o que temos nos dias de hoje, são cópias programadas, fórmulas de sucesso, modelos de ideais.
Tanto na vida quanto na tela. Tanto nos discursos como nas rádios. Tanto no olhar como nos quadros. Tanto na fome quanto nos pratos. Tanto no dia quanto na noite.

Na vida, temos que correr para parecer cada vez mais com aquele que representa o sucesso. Tem que se ter o melhor, ter o último modelo, a melhor marca, o melhor salário. O contentamento com o básico, o sonho que não se mensura, chega a ser uma agressão. Devemos traçar metas e correr sem parar.Não terás tempo para contemplar o que não for fundamental (metas). Não terás vida própria. Não poderás expor idéias do que realmente acredita. A sociedade tem outra cartilha.

A certeza do tempo e a falta da poesia. Será essa a causa de tanta terapia? Será por isso que somos a “geração Rivotril”? Nunca vi tantos rodeios para as pessoas se encontrarem (autoconhecimento). É que as “oportunidades” são inúmeras e os "contextos" também.Já cantava Raul “há dez mil anos atrás”: “Tem que ser selado, registrado, carimbado Avaliado, rotulado se quiser voar! Se quiser voar....”


Pede-se muito mais do que uma idéia na cabeça, do que sonhos. Sabemos que não se vive apenas deles. Além dos sonhos existem os números (que nos tira o sono). A perda da inocência e a crença em mudança de mundo é repentina, acontece em algum momento. Fundamental mesmo é promover(viver) mudanças internas e quem sabe, mudar o "pedacim" de mundo em que você vive. Talvez até para melhor.





segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Janelas e perspectivas.


Gosto de janelas.De aeroportos, estradas, rodoviárias, do céu e do mar. Eles me dão a sensação de possibilidades, de mudanças, de outras nuances e cores. Já reparou que até mesmo no quadrado da janela a perspectiva faz toda diferença?!
Podemos olhar pelo lado esquerdo, direito, de cima pra baixo. Mudar a angulação no mesmo foco. Teremos inúmeros formatos de um mesmo “cenário”, teremos variações de cores e descobertas interessantes.

Da minha janela hoje, vejo um dia de sol. Vejo um mundo que não pára acenando isso o tempo todo. Penso nos meus planos,nos filmes que ainda não fiz e nas coisas que ainda não conheci e nem vivi. Confesso que hoje, especialmente hoje, sinto-me imaturo diante da vida. Queria escrever um poema. Compor uma música. Escrever uma peça. Plantar um filho, criar uma árvore.Queria algo relevante para hoje. Sim, pra já! Imediatismo, o agora, o momento.Queria que o sol que me faz olhar para ele com vista miúda, desse vazão a uma forte chuva de fim de tarde. Queria que água escorresse entre os ralos da cidade grande os meus questionamentos pequenos.

Hoje, queria poder não estar. Poder não ser e me perder por entre pessoas, ir pelo mundo. Ver o mar.Ir a um aeroporto ou a uma rodoviária. Conhecer o novo. Traçar uma aventura nova e humana e me encontrar por entre os descaminhos que o acaso nos leva. Clarice certa vez disse: “LIBERDADE É POUCO, O QUE DESEJO AINDA NÃO TEM NOME”. A sensação é essa. O que quero talvez ainda não tenha nome. Talvez eu ainda não saiba.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O tempo de ser.


E se a vida fosse um labirinto? E se as vezes que nos encontramos perdidos, fosse relativa a nossa imersão a ela? Ou o desejo de emergir. A vida é cíclica e muitas vezes não vivemos o que de fato nos acontece. Na maioria das vezes, olhamos para trás ou para frente. O agora é de certa maneira protelado.

É um exercício diário viver a vida pautando o hoje. Estão te cobrando o tempo todo planos para o amanhã. Estão te lembrando do ontem.Mas do “já” dificilmente lhe perguntam o que realmente você quer, por isso, te impõem mais do que te questionam e os questionamentos em si,já soam como imposição.Ás vezes, até como uma inquisição.
E nós, caminhamos todos numa correria sem fim. Para onde? Ás vezes não sabemos. Corre quem sabe e quem não sabe, acompanha.

Quando eu era mais novo tinha um cronograma de como seria a minha vida. Aos 18 isso, aos 23 aquilo e aos trinta aquilo outro. Nada! Todas essas fases já passaram e confesso sem tristeza alguma que nada do que pensei foi. Mudanças de planos feitas por mim outras impostas pela vida. Vi outras coisas pelo caminho.Mudei o meu rumo, mudei de cidade, quis seguir outra profissão. Ás vezes penso que os “re” começos me tiraram muitos anos, logo, tenho certeza que não. Os recomeços são fundamentais para os novos rumos e mudanças vindouras.

Disso tudo me resta uma certeza: nenhuma verdade é absoluta. Nenhum caminho é único. Nenhum lugar é mais importante do que o que você está. Nenhuma hora é mais importante do que o agora. E nada disso é motivo para acomodação. Ás vezes é necessário se despir de algumas coisas, se desfazer de outras para continuar. Mudar sempre que preciso for.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

"Apagaram tudo/pintaram tudo de cinza"


Quem costuma andar nas imediações do terminal do Papicu certamente já se deparou com as frases do sapateiro Alves (o nosso Gentileza). Havia um enorme muro em volta do seu local de trabalho na Av. Engenheiro Santana Junior em que ele utilizava para os seus escritos.


Frases simples, mas com lições de vida, ensinamentos e ditos populares. Todas escritas de uma maneira bem particular, contendo até alguns erros ortográficos o que deixava ainda mais interessante a sua maneira de se expressar. Porém, foi erguida uma imponente construção imobiliária, levando assim, parte do muro com as frases e outra parte pintada com a propaganda da futura loja que se instalará no local. O que restou foi muito pouco e sabe-se lá até quando.


Talvez em breve o que ficará dos seus “ensinamentos” será a lembrança daqueles que liam atentamente o que ele escrevia a tinta nos muros brancos. Uma cena inusitada no cotidiano de uma metrópole que fica a cada dia mais cinza. Resta saber se o Sr. Alves continuará utilizando o que a vida lhe ensinou e ele insiste em repassar para uma multidão (que nem sempre atenta) ler o que ele escreve e entende a importância de querer se comunicar, manifestando assim, crenças e conceitos de um homem simples e que aparenta ser dono de uma verdade popular e certeira.


Resta saber se a cidade com os seus prédios e muros cada vez mais altos darão espaço a um artista de rabiscos e pregações pueris. Uma ode, algo espontâneo e verdadeiro que desponta em meio ao trânsito de automóveis, pessoas e outras aporrinhações diárias. Frases que podem te fazer pensar, refletir sobre a sua própria vida ou a de alguém próximo. Um momento em que podemos olhar para dentro. Será que a poesia sobrevive a Selva de Pedras? Será que o nosso Gentileza encontrará outros muros?

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Bob Esponja: Personalidade do Ano!


Dando uma navegada por alguns sites, vi e li algumas notícias esdrúxulas. Isso tudo em questões de segundos. Vamos a primeira e uma que evitei ao máximo escrever a respeito: A morte-espetáculo de Michael Jackson e o seu enterro 70 dias depois.


Tudo bem que o pop star seja reverenciado em todo o mundo. Tudo bem que a mídia e gravadoras se valeram dessa morte para aumentar vendas de revistas, jornais, CDs, DVDs... Que emissoras de TV em volta do mundo exibiram matérias sensacionalistas. Que sites exploraram o caso a exaustão. Que vieram imagens e depoimentos “exclusivos” e até possíveis filhos surgiram.

A família, armou uma super produção para um “show-velório”. Depoimentos emocionados, outros ensaiados e os dias foram correndo. Tudo bem que os fãs reverenciassem o ídolo que em vida andava esquecido. Tudo bem que ele voltasse às paradas de sucesso, ocupasse o 1° lugar nas rádios, programas de TV, vendas de livros com as suas imediatas biografias.

Tirando tudo isso, que já é bem esquisito, o pior não veio depois. O que pela lógica deveria acontecer nos primeiros dias,veio acontecer mais de dois meses depois: o enterro do cantor (!). Não sei se por conta de alguma crença religiosa ou questões particulares levaram a família a protelar isso por tanto tempo. Desde o inicio acho tudo isso muito, muito bizarro, assim como ele foi em vida.

Outra notícia “interessante”: um tal de Max (ex-BBB e vencedor da última edição), Barack Obama (presidente dos EUA) e Bob Esponja (desenho animado) concorrem numa mesma categoria: PERSONALIDADE DO ANO, enquete de uma TV a cabo. Fico imaginando as pessoas votaram no Max e no Bob. No Obama, tudo bem.
Eu hein?! Esse mundo anda cada vez mais estranho!!!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Extra, extra!!!


Depois de um pouco mais de mês de ausência, eis me aqui. E nesses trinta e poucos dias muita coisa aconteceu. A imprensa forjou o “sumiço” do Belchior e o Fantástico deu ares de mistério. Na internet, o assunto causou o maior burburinho e fez disso, um dos fatos mais comentados.Na semana seguinte,com o “sumiço” já solucionado, ele deu entrevistas etc.

No dia em que vi a reportagem no programa global, vi que se tratava de um sensacionalismo barato e que buscava apenas índices de audiência, nada mais que isso! Pessoas próximas a ele falavam em três anos de sumiço. Eu mesmo, há menos de dois anos vi dois shows do Belchior (um no Festival de Escargot- Na Taíba e outro na Pça. Do Ferreira), sem contar que ano passado (não me recordo a data, ele fez um show na Concha Acústica da UFC).


São detalhes que nem vale a pena comentar, porque como falei no início ele já foi “encontrado”.
A única coisa estranha nisso tudo é a maneira que a Central Globo de Jornalismo tratou disso.O tom da reportagem, os questionamentos forçados etc.

Outro acontecimento lamentável: XUXA homenageada no festival de Gramado pela contribuição dada ao cinema brasileiro (?!)

“Peraí”!!!! Homenagear a Xuxa num dos maiores festivais do país é forçar demais a barra. Qual a contribuição daqueles filmes imbecis dela?( e não é porque são infantis não) Que tipo de platéia pode ser formada com aquele tipo de cinema? Roteiros ruins, estórias copiadas , previsíveis e atuações lamentáveis.
Ela, hostilizada por alguns foi pega dizendo:"Eles vão ter que me engolir”, numa referência aos críticos de cinema que também não concordam com a "homenagem".

Não, ninguém é obrigado a “engolir”, aceitar, assistir aos filmes da Xuxa. Bilheteria eles dão sim, afinal de contas, são programados apenas para isso.

Resumo da ópera: Xuxa devia sumir e Belchior ser homenageado, ele sim, tem méritos para isso.