Baleiro

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Fortaleza, Ceará, Brazil
entre as inúmeras coisas identificáveis que já ouvi, uma delas é que tenho uma multidão dentro de mim.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Entre a inquietude e o sonho.



"Espero, tenho fé, que jamais, jamais passarei pela vergonha de me acomodar." Maiakovski

Só a inquietude é capaz de reverter as acomodações humanas. Só essa inquietude é capaz de nos impulsionar, de nos mover e de nos fazer buscar outros horizontes. Do horizonte que me encontro, vejo que ainda existem mundos que estão além.

Mundos esses que muitas vezes me parecem utópicos de tão reais que são. E por tamanha realidade, precisamos recorrer aos sonhos, que também são uma maneira de não comodismo, quando buscamos realizá-los. Um poeta certa vez disse: ”tenho em mim, todos os sonhos do mundo”, porém, não basta tê-los é fundamental que não nos acomodemos a eles e nem os idealizemos. O ideal é realizá-los.

O que eu tenho feito com as minhas inquietações? Os meus sonhos têm me impulsionando? Lanço-me do alto e lá embaixo vejo todos eles, ou parte deles, alguns envelheceram. Desço e os vejo mais de perto. Alguns quase esquecidos, adulterados. Outros novos, recém criados. Todos tão meus, infinitivamente meus, até os que não são mais.

Parte deles, eu. Por eles, aqui. E todo o resto é parte da busca, de uma coisa interna, externa. De onde me lanço e retorno. Lugar que sei de onde vir, pra onde quero ir, chegar. E tem dias que há o desejo de lugar nenhum, de nada ser. Outros, a urgência de estar, de fazer e ser parte.

Tem os dias que o mundo me cansa extremamente. Em que eu me canso de mim, dos meus ideais, dos meus domingos. Dias em que todos os dias parecem domingos. Mas aí penso que existem os sonhos e a não acomodação e resta a crença e a vontade de que tudo dê certo.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Mais do mesmo - volume 10


Mais uma edição no ar. Há uma década é a mesma coisa (literalmente). O programa liderado pelo Pedro Bial vira assunto nacional a cada edição e eu só lamento por isso. Sim, sei que faço parte da minoria que realmente não faz questão de dar se quer uma “espiadinha”.

Não me interessa, nem como entretenimento, nem como “estudo humano” e muito menos como se os brothers selecionados correspondessem à população brasileira. Está longe disso tudo. Pelas chamadas, pude ver que nada mudou, absolutamente nada. Ah mudou, sei que existem dois ou três participantes que são destaques pelas suas preferências sexuais, no mais, nada. Uma polêmica programada.

Confesso que no inicio apostei que o programa teria um fôlego menor. Que com o tempo o formato seria desgastado, que não precisaríamos ter ex-BBB’s por aí posando de grandes astros. Imaginei que a população fosse se cansar do excesso de massa muscular e da falta de massa cefálica. Os jogos ensaiados, as frases feitas, as amizades e romances construídos dentro da “casa” soam mais falsos que “nota de 25”.

Sim, tenho preconceito contra os BBB’s e ainda mais se for ex. Soube que agora já tem “ex-ex BBB” (preconceito em dobro), é demais para minha cabeça!Sem falar na infinidade de participantes que estão soltos por aí, atuando na TV e no teatro (salve Fernanda Montenegro), modelando (tranqüilo), posando de repórter (ai pesa) e de apresentadores (saudade do Chacrinha).

Por isso, ficarei quieto nas fervorosas discussões acerca do programa. Ficarei calmo diante das “super polêmicas” que surgirão. Não emitirei minha opinião isoladamente sobre os participantes (acho todos iguais). E não se preocupem que não me oporei ao vencedor e nem gastarei um centavo para tirar fulano ou beltrano da casa do BBB. Sempre mais do mesmo : desde a primeira edição eu continuo detestando o BBB e ele continua fazendo o maior sucesso!

Bethânia Brasil Baiana



Ontem vi um documentário sobre Maria Bethânia, realizado em 2000/01, “Maria Bethânia do Brasil” de Hugo Santiago que narra parte da carreira da “grande dama da música brasileira” como foi chamada por Gilberto Gil em um show na França.

Numa baía de tantos santos, terra de mar e de encantos, de rios e Carnaval. Terra de Bethânia, devota de Nossa Senhora da Purificação e eu devoto de uma Maria terrena, quase profana. Mas ao cantar, a divindade se faz presente, voz e presença. Bethânia Brasil baiana.

Entre os inúmeros depoimentos, está o do pai quando ela decide tentar a carreira no Rio de Janeiro. Dele escutou a seguinte frase: “Você vai e se você for feliz você é a culpada, se for infeliz o culpado sou eu.” O nome foi dado pelo irmão Caetano, por causa de uma música com esse título. Sua estreia em terras cariocas foi no Teatro Opinião, substituindo Nara Leão. Ela debutava no Rio e o Brasil ganhava um ícone da MPB.

O que mais me fascina em Bethânia é a sua entrega, o seu teatro musical, o declamar cheio de vida e quando as poesias exigem, também de morte. Ela, em uma das suas declarações afirma: “Eu gosto da tragédia grega, é disso que eu gosto.” E a sua obra é realmente pontuada por uma passionalidade vívida. É como se tudo fosse dito “olhos nos olhos” (música que Chico Buarque compôs para que ela cantasse). E Chico ainda acrescentou que escreve algumas musicas pensando nela e quando ouve a interpretação descobre uma outra nuance. Sobre isso, ele pensa:"Vou escrever para o personagem:Maria Bethânia."

No documentário, acompanhamos através de fotos, vídeos, gravações e depoimentos o desenrolar de uma carreira que se mantém impecável até os dias de hoje. Bethânia é sinônimo de uma verdade cantada, como poucos, ela consegue exprimir e (re) criar canções. Através do seu cantar, do seu declamar consegui compreender muito sobre a vida, a minha e a dos outros.

A intérprete e o palco.

Pés nus de Bethânia
Alma desnuda
Eis o canto, força, pranto
Presença incontestável
Beleza que os olhos vêem
Mãos, olhos e passos
Um ventre dança
Veias pulsantes
O alheio tomado para si
Poeticamente dito
Cantos, contos e vida
(Re) criações e (re) inventos.


Cesar Teixeira, em momento de tietagem explícita.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O tempo, a vaidade e nós.



Tenho pensado muito sobre a vida e os seus infinitos aspectos. Tenho pensado em pessoas e nas suas inúmeras maneiras de encarar a vida. Tenho pensado no tempo e na sua representatividade. Tenho imaginado que a vida é o tempo. E que esse tempo só pode ser agora.

As pessoas transitam umas nas vidas dos outros. E as histórias se fundem, se enlaçam. Existem os belos encontros que mais parecem danças ensaiadas, existem os fundamentais e também os desnecessários. Celebremos todos, cada um, á sua maneira tem a sua devida (des) importância.

O passar dos anos me deu a maturidade de aceitar os encontros que considero desnecessários. Uma boa dose de força para compreender os fundamentais e festejar os que me pareceram ensaiados. Existem ótimos ensaios, outros criamos, (re) inventamos.

Existem pessoas que são essenciais em determinados momentos. Pessoas que duram uns dias, alguns meses, anos. Existem pessoas para uma vida toda. Para o dia, para a noite. E dentro das nossas vidas existem as vidas delas. Suas alegrias, ambições e tristezas, seus desejos.

Existem também os nossos desejos. Um fio nos liga: o cotidiano. E se a vontade nos move, os fatos alteram o sentido das coisas e até os nossos próprios sentimentos. Em algum canto sempre me encontro comigo mesmo, porém, antes preciso passar por uma galeria de “gentes” que de alguma maneira me foram (são) essências.

Sempre preciso olhá-las nos olhos para lembrar quem sou. Olhos de aprovação, de dúvida, reprovação. É que todos eles também têm seus próprios aspectos e fazem seus próprios julgamentos. Ninguém que passou por mim foi criado para ser um coadjuvante meu. Apesar de tentar protagonizar a vida que me cabe, sei que muitas vezes nos sobra um papel secundário. O resto é só vaidade!

Se a vida fosse uma grande encenação eu seria um ator realista ou um sonhador? Filosofaria questões e assuntos meramente meus diante dos demais? Usaria das palavras, usurparia vidas para contar uma estória inventada? Um possível autor pode tentar protagonizar uma vida de elos e ligações? Momentos e ápices, repetições, inovações. A vida que segue entre o tempo e os acontecimentos.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A originalidade é simples.


Gosto da antítese. De tudo aquilo que é capaz de nos desdizer. Discursos prontos, enlatados, frases feitas e clichês me incomodam. Por mais que eu os use algumas vezes. Não me policio, de fato as vezes elas vêm, como se fossem intrínsecas a nós, seres humanos.
Verdades absolutas me incomodam ainda mais. Aqueles que esbravejam sempre ser o senhor das idéias inquestionáveis. Gosto de brilho no olhar, de desejos explícitos e quase contidos. As pequenas obsessões também me interessam.

Tudo isso é muito humano. E a matéria que somos feitos, o que nos move e nos impulsiona é interessante. Um mundo de coisas, de gente, de possibilidades. Realidades dentro de outras, pequenas verdades e mentiras. Bem e mal. Caminhos, bifurcações, fins e recomeço.

Já que “de perto ninguém é normal” somos em proporções distintas seres quase lúcidos. O excesso de lucidez é uma chatice implantada pelos bons modos e costumes sociais. Precisamos do ar, da arte para que possamos sair da mesmice, do marasmo.
Idéias produzidas em série são exaustivas e formam também pessoas produzidas em série. O homem é aquilo que ele tem em mente? É a sua maior verdade ou suas pequenas mentiras?O que nos forma?

Isso tá ficando filosófico. Esquece. O que quero dizer é que gosto das inovações e ainda mais se elas não forem gratuitas ou pretensiosamente feitas para chocar. O mundo já está cheio de absurdos. Talvez só a simplicidade seja capaz de promover alguma mudança. Como disse no inicio do texto, as vezes eu também uso os clichês sem me policiar. E atualmente, é cada vez mais complicado a simplicidade.

O excesso e a falta.


Tenho tentado escrever sobre algumas coisas, idéias borbulham. Mas começo e logo percebo que atropelei alguma coisa ou misturei outras. Para mim e por alguns minutos, tudo faz sentido. Leio mais uma vez e vejo que não.

Depois de ter começado alguns textos e ter desistido deles de maneira repentina, me pergunto: o que preciso fazer para ir adiante? Pensei em escrever esse texto, comecei e decidido, não vou pará-lo abruptamente. E vamos ver no que dá.
Esse texto fala sobre o nada. Sobre o excesso e a falta de idéias. Sobre esse momento em que sou capaz de preencher os espaços em branco, mas de não sentir o desejo de postá-los no blog. Estou temporariamente bloqueado.

Abaixo ao bloqueio! Auto bloqueio. Uma boa maneira de ir adiante é apenas não parar. E formular pouco a pouco as idéias. Certamente, a profusão de coisas que temos para fazer durante todo o ano que acabou de começar tem me deixado excitado.

Excesso de idéias, de desejos. Vontade de fazer, ser e ir além. É tudo aquilo que ficou de anos anteriores. É a repetição e o novo que tem me feito pensar, repensar. Gosto da sensação de possibilidades quando se inicia um ano novo. Mas tenho pensado também naqueles desejos não realizados de outros anos, que uma dia também foram novos.